aquela mulher de vestido verde musgo que me tornaria se encontrou comigo e
me aconselhou a ter prudência. disse que essa mania, quase vício, de me conhecer
mais que a qualquer coisa ainda me roubaria de mim. eu, jovenzinha, sabedora do
mundo e dos meus próprios saberes, não lhe dei ouvidos.
então decidi, como quem escolhe entre tomates maduros ou verdes numa feira, que esquecê-la-ia. e o fiz. até agora quando um cheiro de café me lembrou dos olhos daquela eu. à lembrança, então, me veio a aparência jovem e o sorriso feliz.
era ela eu?
não sabemos.
2 de novembro de 2008
aquela eu
28 de agosto de 2008
...
"Aprendi com Rômulo Quiroga:
A expressão reta não sonha.
Não use o traço acostumado. A força de um artista vem das suas derrotas. Só a alma atormentada pode trazer para a voz um formato de pássaro.
Arte não tem pensa: o olho vê, a lembrança revê, a imaginação transvê o mundo.
Isto seja: Deus deu a forma. Os artistas desformam.
É preciso desformar o mundo [...]."
Manuel de Barros
23 de agosto de 2008
condições
se é imensa a solidão, eu canto
se o só é a imensidão, é por enquanto
e se, no entanto, eu ficar a esmo
é de acalanto em acalanto que saio de mim mesmo.
se é manso o perdão, aceito
se me perdoam a mansidão, respeito
mas se, de fato, eu quiser sair
é em prosa e terço que consigo fugir daqui
Oxalá fosse grande o bastante esse adentro pra compensar o de fora
Oxalá fosse mais tímido esse tal de agora pra chegar logo lá dentro
21 de agosto de 2008
mal hábito
entre a minha pele e o mundo tem um gelo, um tal de jalousie intenso que me rouba de mim.
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